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25/04/2015

Atenuação Da Comédia E Eclosão Do Drama e Do Romance Em Video Girl Ai.

Criado e desenhado pelo mangáka Masakazu Katsura, Video Girl Ai é um mangá que ao decorrer das suas vinte e seis edições publicadas aqui no Brasil, pela editora JBC, apresenta, além do traço muito bonito e detalhado, outro aspecto que chamou a minha atenção: A inversão de gêneros.


Video Girl Ai em sua primeira edição é basicamente uma comédia romântica com sutis toques de erotismo e de drama, enfocada em demonstrar como Youta aprende a lidar com as mulheres de sua vida e aos poucos vai ganhando experiência em relacionamentos amorosos.




Na extensão quase que uniforme da primeira edição, o humor é bem acentuado , alternando-se entre as trapalhadas de Youta e as situações cômicas e emocionantes que a Video Girl Ai Chan faz o protagonista viver. Momentos tristes existem? Sim eles existem, porém eles são trabalhados com leveza e sem um apelo emocional enfático.

Na segunda edição, a partir do capítulo número 7, os gêneros citados acima fazem uma troca entre si. O drama ganha uma frequência muito maior, juntamente com o romance e a comédia, por sua vez  começa a decair. Ainda que na segunda edição do mangá, existam momentos mais leves, é perceptível que o drama começa a possuir um peso narrativo mais influente na história, juntamente com o já referido romance.








Na edição número três , além de mais situações românticas e dramáticas vividas por Youta, é fácil perceber que o personagem vai se tornando mais sério e menos inocente, ainda  que ele esteja dando os primeiros passos no convívio propriamente dito com Moemi e passe a nutrir sentimentos mais fortes pela Ai-Chan.

Nas edições posteriores cingido em muitas reviravoltas amorosas e acontecimentos fortes emocionalmente, pouco resta do Youta  brincalhão e cheio de dúvidas risíveis a quem somos apresentados na primeira edição. O personagem amadurece, tem o seu primeiro namoro, enfrenta o término da sua relação com Nobuko e conforme a história avança mais percebo que, apesar de ele estar vivendo situações românticas intensas e marcantes, o que impera nos pensamentos e nos sentimentos de Youta são melancolia e perguntas que ele mesmo não consegue responder.








É claro que o amadurecer do personagem é algo necessário, todavia cada vez que leio o mangá, mais eu me pergunto em que lugar foi parar a felicidade do protagonista, pois mesmo quando ele é pedido em namoro por Moemi, poucos são os instantes no qual o personagem aproveita a realização do seu sonho com uma felicidade mais expressiva, digamos assim.

Não sou contra o personagem possuir períodos de dúvida em sua vivência nos campos do amor, porém senti falta a partir da terceira edição, da comédia protagonizada por Youta que tinha fantasias e devaneios envolvendo Moemi e por vezes ele mesmo, o que gerava boas reações cômicas por parte da Ai-Chan, que de tudo fazia para ter a atenção do garoto.

Em Video Girl Ai, o amor sincero entre Youta e Ai, ganha muito peso na história, e pelo menos ao meu ver, o protagonista se enfatiza demais em seus pensamentos e atos os seus dramas pessoais e contradições... E não consegue aproveitar os bons momentos que vive com as mulheres de sua vida.







Gosto de muitas passagens dramáticas de Video Girl Ai, todavia não nego que senti falta da atmosfera mais leve e sutilmente fantasiosa que o mangá exibiu na sua edição de estreia. Considerando que Youta namorou três garotas diferentes, seria interessante  ver como ele descobre e lida com os encantos e peculiaridades de cada uma delas e até mesmo viver alguma situação engraçada ao lado delas, afinal por períodos  e em contextos distintos ele pode conviver de modo mais intenso e profundo com elas.

Não digo que o crescimento do drama e do romance tornam Video Girl ai, um mangá ruim ,ele é uma leitura que eu recomendo, todavia eu acho que seria possível o Youta aprender mais sobre namoros e mulheres, sem abandonar tão fortemente o seu jeito engraçado e as suas manias facilmente identificáveis e aprazíveis... Afinal o aprendizado sobre o amor não precisa ser sério e dramático o tempo todo não é mesmo?






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